Imprensa

Por que as mulheres ganham 33% menos que os homens?

Tradicionalmente, as mulheres correspondem, em média, a 25% das matrículas nos cursos de pós-graduação do Ietec. Todavia, no semestre passado, esse tema saltou aos olhos quando a relação de alunos inscritos no curso de pós-graduação em Engenharia de Manutenção foi analisada: 100% dos alunos eram homens. Indaguei o porque da predominância masculina, mas ninguém tinha uma resposta convincente embasada em dados empíricos.

Muitos de nós temos a resposta mais fácil: cultural, de que nossa sociedade culturalmente é machista.

Nosso objetivo aqui é estreitar um pouco mais o assunto e nos ater ao mundo profissional.

Quando me formei em engenharia, há uns trinta anos, na minha sala havia 50 alunos e, dentre eles, não mais do que sete mulheres. Entretanto, a realidade hoje é outra e as mulheres já são maioria em vários cursos de engenharia: química, civil, produção, etc.

Vamos às estatísticas: analisando a média salarial dos profissionais nos anos de 2015 e 2016, de acordo com o Ministério do Trabalho, as mulheres com curso fundamental que foram admitidas ganhavam 16% menos que os homens com mesmo nível de escolaridade, as que têm curso médio ganhavam 17% menos e, pasmem, as mulheres com curso superior ganhavam 33% menos que os homens. Mais especificamente na área de engenharia, elas ganhavam 19% menos que eles. (vejam em nossa página as estatísticas de algumas profissões)

Muito CHA e Empoderamento

Conhecimento, Habilidade e Atitude são fundamentais na vida de todos os profissionais, que começa na escolha de um curso superior e continua para o resto da vida em todas as instituições onde atuam (com ou sem fins lucrativos).

A competência, que é a capacidade de fazer as entregas necessárias ao exercício e desenvolvimento da função, precisa ter mais visibilidade. Sendo assim, a mulher neste ambiente altamente competitivo precisa não só ser competente, mas também mostrar que é competente. Precisa ter visibilidade nas redes sociais nas quais está inserida, e a principal rede social é o local de trabalho. Deve empoderar-se através da autogestão da carreira para direcionar o desenvolvimento profissional, reconhecendo suas forças e os aspectos limitantes. Dar visibilidade ao seu desenvolvimento profissional e gerar, assim, satisfação e felicidade no ambiente de trabalho e para vida pessoal.

No Ietec, começamos a fazer nosso dever de casa. De posse das estatísticas fomos à prática: estamos oferecendo 34% de desconto para as mulheres em nossos cursos de pós-graduação lato sensu; promovendo cursos de gestão de carreiras para mulheres; realizamos, também, um debate com três candidatas à vereadora na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Além disso, buscamos apoio no movimento “Visibilidade Feminina” e realizamos debates sobre o tema “Liderança Feminina nas profissões” , e contamos com a participação de diversos conselhos e representantes das profissões da engenharia, arquitetura, direito, farmácia, química, biologia e tecnologias da informação. Tudo isso com o intuito de tentar mudar este cenário.

Temos a esperança, indignação e coragem, para colocar o assunto em discussão nas empresas, nos conselhos e nos sindicatos profissionais e empresariais.

Essa não deve ser mais uma luta, mas uma oportunidade de mudança no modelo mental de Homens e Mulheres.